Um dos meios de transporte mais seguros do mundo. No Brasil, não está tão seguro como deveria.

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Existem divergências sobre a classificação do meio de transporte mais seguro do mundo. Diversos estudos atestam que são os aviões, outros afirmam que é o trem. Outros tantos apontam o elevador – sim, ele mesmo, como o mais seguro. Apesar do título conferido aos elevadores, nos últimos anos, de forma cada vez mais frequente, são reportados acidentes e, não raramente, com vítimas fatais nos quatro cantos do nosso país.

Em julho de 2024, no Rio de Janeiro, ocorreram três acidentes com elevadores em menos de 24 horas, que causaram a morte de duas pessoas. Em agosto, na capital paulista, a queda de um elevador residencial deixou uma pessoa morta e dois feridos. Outro acidente, desta vez no prédio do Tribunal Regional Federal em Belo Horizonte, vitimou fatalmente um técnico de manutenção que fazia ajustes no equipamento.

De acordo com estudo publicado na revista Elevador Brasil, o ano de 2024 contabilizou 40 mortos em 58 acidentes com elevadores ocorridos em território nacional. Um número alarmante que nos coloca em estado de atenção sobre a segurança deste equipamento utilizado diariamente por milhões de pessoas no Brasil.

O aumento dos acidentes, e também de vítimas, decorre principalmente da inobservância de questões primordiais de qualidade e segurança com foco dos tomadores de decisão, único e exclusivamente, na guerra de preços travada pelas empresas de manutenção destes equipamentos.

Atualmente, os contratantes dos serviços de manutenção de elevadores, primordialmente condomínios e construtoras, muitas vezes, pela falta de conhecimento sobre a relevância do tema, priorizam o custo e ignoram a devida importância de uma prestação de serviço qualificada. O péssimo hábito tupiniquim de avaliar apenas o preço ao invés do valor, acaba por minar nossa própria segurança, já que o importante é levar vantagem em tudo, certo? Não, errado.

São inúmeros os fatores que englobam as políticas de preços baixos a qualquer custo, que contaminam o mercado de forma nociva e perniciosa. Como por exemplo, valores aviltantes de mensalidade que não cobrem os custos com a mão de obra, informalidade das empresas e ausência de fiscalização pelo CREA, técnicos sem qualificação adequada e peças e componentes de baixa qualidade que, muitas vezes, não atendem a regulamentação e as normas técnicas vigentes.

Em estudos recentes conduzidos pela Associação Brasileira da Indústria Processadora de Aço e o Sindicato Nacional da Indústria de Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos – ABIMETAL SICETEL, foram identificadas crescentes e graves não conformidades técnicas em guias de elevadores importadas, que tornam o produto inseguro e potencializa os riscos de acidentes fatais.

O conhecido fenômeno do shrink, largamente utilizado pela indústria alimentícia para encolher o volume das embalagens e manter os preços, denominado, em bom português, de reduflação, também tem sido observado nas guias de elevadores importadas. Todavia, diferentemente dos alimentos, ao reduzir em 15% a massa da guia, a resistência do material se encontra totalmente comprometida e, consequentemente, não garante a segurança que se espera.

Passou da hora de o Poder Público regulamentar, de forma definitiva, a atuação das empresas de construção e manutenção de elevadores e, efetivamente, promover a fiscalização rigorosa do setor, objetivando garantir requisitos mínimos de qualidade no serviço e nas peças utilizadas nos equipamentos para segurança de todos nós, usuários deste importante meio de transporte. Cabe também a conscientização dos condomínios e construtoras para as questões de segurança e evitar contratações baseadas exclusivamente em preço.

A Receita Federal do Brasil, sensível a este importante tema, recentemente, intensificou a fiscalização de guias de elevadores que chegam ao nosso país pelos nossos portos, retendo diversas cargas, a fim de constatar o cumprimento da norma técnica para este produto e enviando para perícia algumas das cargas retidas para constatar o atendimento ou não da legislação vigente. É uma luz no fim do túnel!

Aliás, aos olhos da lei, aqueles que importam, revendem ou instalam guias de elevadores que não atendem aos requisitos mínimos de qualidade e segurança podem também ser responsabilizados criminalmente pelos acidentes que dão causa. Fica o alerta! O cerco se fecha contra aqueles que praticam este tipo de fraude.

Ignorar as causas que levaram o setor a se tornar uma bomba-relógio vai contribuir para um declínio ainda maior e mais perigoso para a população. Esperamos não chegar ao fundo do poço.

Artigo escrito por Márcio Costa de Menezes e Gonçalves para revista Elevador Brasil

Imagem autoria Tayenne Cruz

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